A meados de Junho de 2020 (em tempos incrivelmente excecionais devido à pandemia Covid-19) iniciámos uma pequena viagem de 5 dias, pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Esta costa é considerada uma das mais bem conservadas da Europa, pois a natureza encontra-se praticamente intocável e as pequenas vilas existentes tornam a região única, refletindo a autenticidade tão característica do povo português. Ao longo da costa a presença do mar é constante. Os horizontes perdem-se de vista e as soberbas falésias postadas diante do oceano, escondem pequenas e grandes praias. Se a experiência de explorar esta pequenina parte de Portugal foi maravilhosa, a aventura de viajar pela primeira vez em autocaravana marcou de forma memorável estas mini férias e o nosso sexto aniversário de casamento. Contarei tudo neste artigo que agora escrevo.

Se há uns meses me propusessem uma viagem em autocaravana provavelmente a minha resposta seria: “não, muito obrigada!” Perdoem-me a audácia, mas a verdade é que sempre achei que viajar em autocaravana eram coisas para reformados e que essa aventura ainda não seria para nós. Que belo engano o meu! Apesar da viagem em autocaravana ter marcado a nossa pequena viagem com momentos bem divertidos, não é dela que vos quero falar, mas sim do destino maravilhoso que é o Sudoeste Alentejano e a Costa Vicentina e as coisas bonitas que descobrimos nestes dias.


Inserida num Parque Natural, o Sudoeste Alentejano e a Costa Vicentina localizam-se a sudoeste de Portugal, começando na Ribeira da Junqueira, em São Torpes (Sines), e terminando na praia de Burgau (Vila do Bispo), representando uma extensão de cerca de 110 quilómetros.
O itinerário nunca esteve definido. A ideia era percorrer a costa e estacionar a autocaravana onde nos apetecesse, fosse seguro e, simultaneamente, onde fosse possível. Não nos podíamos esquecer que estávamos num parque natural e as regras teriam de ser sempre respeitadas.
Para explicar melhor, organizei este pequeno diário onde dou a conhecer o nosso itinerário e as coisas bonitas que fomos descobrindo na costa sul de Portugal, ao longo de 5 dias. Não é de todo uma “bíblia a seguir religiosamente” mas sim uma sugestão, onde cada um o pode e deve organizá-lo / reajustá-lo conforme gosto pessoal.
O roteiro começa aqui…
São Torpes foi o único local escolhido com antecedência para a primeira noite. Desta feita: depois do trabalho e de organizar um montão de coisas, lá partimos para iniciar a viagem que durou cerca de cinco horas, onde a autocaravana foi a nossa parceira de viagem de comportamento exemplar!
O dia tinha sido bastante cansativo e, para terminar em beleza, assim que estacionámos a autocaravana, ocorreu a primeira aventura/incerteza: como garantir que o frigorifico tinha ficado corretamente ligado? Confiámos na sorte e até correu bem!
PRIMEIRO DIA – São Torpes / Samoqueira / Porto Covo / Ilha do Pessegueiro / Malhão
Acordámos não à hora que queríamos mas com a animação proveniente dos turistas que falavam no exterior da autocaravana. Estava um dia agradável e, apesar dos acontecimentos da véspera, não demorámos muito a saltar para o exterior. Estávamos em São Torpes.
Praia de São Torpes
A poucos quilómetros de Sines encontra-se a praia de São Torpes. A localização desta praia confere-lhe algumas particularidades que a tornam conhecida pela elevada temperatura da água, pois beneficia da actividade da Central Termoeléctrica de Sines. Coincidência ou não, neste dia não pudemos comprovar este facto, pois a água estava como costumamos encontrar em outras praias tipicamente portuguesas. Por outro lado, encontrámos várias notícias que remetem para a paragem prolongada da central. Vejamos até quando.

Considero que é uma praia simpática mas não é arrebatadoramente bonita como muitas outras que mais tarde viríamos a conhecer. De qualquer forma é merecedora de visita ou até de uma paragem mais prolongada.

Praia da Samoqueira
A paragem seguinte foi na praia da Samoqueira, bem pertinho de Porto Covo. O areal curto e encrustado nas arribas rochosas moldadas pelo vento, a água transparente e de cor turquesa, grutas e pequenas piscinas naturais escavadas pelo mar compõem a paisagem que, para mim fazem deste local um dos mais deslumbrantes do Sudoeste Alentejano.


Porto Covo
A paisagem da estrada que nos leva costa “abaixo” é incrivelmente bonita, especialmente até chegarmos a Porto Covo. De um lado o oceano Atlântico, que teima em acompanhar-nos durante uns belos quilómetros, do outro encontramos a paisagem tipicamente alentejana, com os solos secos e bravios. E, de tão absorvidos que estávamos, nem notámos pela chegada a Porto Covo. E que bela vila esta! Ficámos rendidos e com os sonhos a pairar nas nossas cabeças…

Tipicamente alentejana, a vila de casas brancas com rodapés azuis, amarelos ou vermelhos, de hospitalidade fácil fez-nos sentir em casa. Percorremos as pequenas ruas pedonais até que a rua Vasco da Gama nos levou à praia dos Buizinhos. Na orla costeira de Porto Covo as praias são igualmente belíssimas e por isso não é fácil escolher uma praia onde possamos estender a toalha. Entre as falésias, encontrámos as pequenas e pitorescas Praia Pequena, Praia do Espingardeiro, Praia Grande e a Praia do Banho.


Ilha do Pessegueiro
Se não fosse um dia Carlos Tê, com toda a certeza absorvido pela beleza deste recanto português, a escrever a letra que um dia Rui Veloso viria a eternizar na musica “Porto Covo”, a Ilha do Pessegueiro talvez passasse incógnita até hoje para a maioria de nós.

“Roendo (ou não) uma laranja na falésia” conseguimos de facto absorver a energia do azul do mar e ouvir o rouxinol na redondeza. Vale muito a pena parar ali durante uns belos minutos pois não há melhor sítio para contemplar a beleza do local.


Praia do Malhão
A ultima paragem do dia foi na praia do Malhão e por lá pernoitámos. Para chegar à praia do Malhão é necessário percorrer uma estrada que no início nos pareceu “suspeita”: em terra batida, com muitos relevos e de distância relativamente longa. A zona está praticamente intocável e que bom que é ver esta preservação.

Ao chegar voltámos a ver as falésias e no fundo o areal convidativo para mais uma merecida paragem. Estava vento mas mesmo assim não nos tirou a vontade de estender a toalha na areia e dar um mergulho. Existe também uma linha de passadiços que se estende por toda a encosta da praia e os miradouros existentes permitem uma vista deslumbrante sobre a mesma. Vale a pena observar o pôr do sol fantástico a partir daqui.

Terminámos o primeiro dia quase como o dia anterior: a testar muitas funcionalidades da autocaravana. Desta vez foi o fogão, onde cozinhámos pela primeira vez, o cilindro da água quente, que teimava em não ligar, ou melhor, cujos utilizadores não tinham certeza de estar a proceder de forma correta, a porta da entrada, com a dúvida se estaria bem fechada, entre outras. Uma vez mais, confiámos na sorte e tudo correu bem!
SEGUNDO DIA – Vila Nova de Milfontes / Furnas / Almograve / Cabo Sardão / Odemira / Zambujeira do Mar / Carvalhal / Brejão (ou Amália) / Odeceixe / Vale dos Homens
Na manhã seguinte e depois do pequeno almoço elaborado na autocaravana e com uma vista formidável sobre a Praia do Malhão e o oceano, retomámos a nossa viagem. A paragem seguinte seria Vila Nova de Milfontes.
Vila Nova de Milfontes
Vila Nova de Milfontes é considerada a “Princesa do Alentejo” e o destino de excelência do concelho de Odemira. Aproveitámos a paragem para um café e para ler as “gordas” dos jornais. A caminhada em direção ao rio e pela zona histórica foi-nos levar ao Forte de São Clemente e à Igreja da Nossa Senhora da Graça e daqui avistámos a foz do Rio Mira. Ainda nas margens deste rio e perto do centro da vila encontrámos a pequena Praia da Franquia. Ao fundo da marginal encontrámos o farol de Vila Nova de Milfontes e a respetiva Praia do Farol, excelente para um fantástico dia de praia.

Praia das Furnas
No lado aposto a Vila Nova de Milfontes e, portanto, na outra margem do Rio Mira, avistámos a Praia das Furnas. Esta é a vencedora das “7 Maravilhas – Praias de Portugal” na categoria “Praias de Rios” e não é difícil de entender o porquê: o sereno e preservado estuário do Rio Mira confere-lhe uma beleza única, que convida às reuniões familiares e à pratica de atividades desportivas. Além disso, esta praia de areia fina é adornada de excelentes acessibilidades e permite optar pelos banhos mais tranquilos no rio ou optar pelas águas mais agitadas do oceano.


Praia de Almograve
A poucos quilómetros da Praia das Furnas encontrámos a pequena vila de Almograve e, não muito longe do centro da vila, a sua incrível praia. Quando digo incrível, é mesmo incrível, pois a paisagem é absolutamente fabulosa. A fauna e a flora são diversificadas e as formações rochosas compõem o panorama visual, ideal para um fantástico dia em família.


A vila de Almograve é tranquila e de ambiente familiar, tem tudo o que é necessário para desfrutar de umas férias de praia relaxantes em pleno contacto com a natureza. Nós não podíamos partir sem almoçar o saboroso choco grelhado no restaurante “O Lavrador”!

Cabo Sardão
Um pouco mais para sul, entre Almograve e a Zambujeira do Mar, encontrámos o Cabo Sardão, o ponto mais ocidental da costa Alentejana. É impossível ficar indiferente às imponentes escarpas escavadas nas falésias a pique, em direção ao mar possante e ao mesmo tempo tranquilo. Parece assustador, mas não é.

O horizonte é uma planície verdejante e nem o vento permite ocultar o som proveniente dos chocalhos das cabras ou das ovelhas que se escondem na vegetação. É este o único local da Europa que a cegonha nidifica na orla costeira e porque será? Aqui, o mundo abranda até quase parar, fazendo-nos esquecer as preocupações e as correrias do dia a dia. É inevitável: aqui a beleza da paisagem obriga a parar.



Odemira
Odemira foi a nossa seguinte paragem, a paragem técnica tanto para nós como para a “menina” que nos acompanhava. Localizada nas margens do Rio Mira, Odemira é, em área, o maior concelho do país apesar de ter apenas 26 mil habitantes. A diversificação paisagística é imensa pois contempla a planície, a serra e o mar. À chegada, é a estreita Ponte de Ferro que nos dá as boas vindas e nos comunica o quão aconchegante é esta vila.


Passeámos pelas margens do Rio Mira e, de gelado na mão, arriscámos a subida às imediações do castelo pelas estreitas ruelas da zona histórica da vila. A paisagem vista do topo é muito bonita.

Zambujeira do Mar
Zambujeira do Mar esperava por nós. Encontrámos uma vila movimentada e solarenga, mesmo a convidar para um mergulho. E não é que o prémio atribuído pelas “7 Maravilhas – Praias de Portugal” na categoria “Praias Urbanas” não podia ter sido melhor atribuído? É sem duvida a fusão perfeita entre a praia e o urbano, onde do alto da falésia, junto à Capela de Nossa Senhora do Mar, avistamos esta fusão de incrível beleza.




Praia do Carvalhal
A Praia do Carvalhal está localizada a sul e a poucos quilómetros da Zambujeira do Mar e não se confunda com a Praia do Carvalhal da Comporta (um pouco mais a norte). Parámos nesta praia do concelho de Odemira quase por um acaso: de passagem, chamou-nos a atenção o longo areal (talvez por estar maré baixa) com o parque de estacionamento mesmo ao lado dos acessos à praia. É sem duvida mais uma praia belíssima para ir em família pois, além de ter bastante espaço, a ondulação não é forte e está protegida pelas formações rochosas em ambos os lados.


Praia do Brejão ou Praia da Amália
A Praia do Brejão, localizada na vila de Brejão, é também conhecida como Praia da Amália e a razão é simples: um dos maiores ícones do fado, a “nossa” Amália Rodrigues, passava por aqui grandes temporadas. Mesmo ao lado, encontra-se a residência da fadista que tem acesso e vista privilegiadas para a praia.

Não é fácil encontrá-la pois trata-se de uma praia praticamente selvagem. No início da estrada de acesso existe um grande malmequer, aí é necessário virar à direita. Poucos metros depois, vai surgir uma estrada em terra batida e os carros têm de ficar aí estacionados (existem algumas estufas em ambos os lados). De frente surge o portão de acesso à herdade da Amália e o acesso à praia fica do lado esquerdo (fotos abaixo). É necessário contornar a herdade percorrendo um estreito caminho pedonal pelo meio da floresta e paralelo a um ribeiro. São cerca de 400 metros para cada lado, equivalente a 8 minutos. De informar que o percurso não é aconselhável a qualquer um, mas também não é impossível. Também de informar que, apesar de existirem escadas seguras arriba abaixo, não há serviço de apoio, como WC ou um bar.




À medida que nos aproximamos, começamos a ouvir o som das ondas a desenrolar na areia e o cheiro a mar intensifica-se. A mistura das cores do mar e da vegetação envolvente compõem a paisagem que é soberba. Ficámos absolutamente rendidos e por ali ficámos durante algum tempo a observar.

Praia de Odeceixe
A muito custo lá abandonámos a Praia do Brejão para parar na também belíssima Praia de Odeceixe, localizada no extremo norte de Aljezur. E que praia esta também! Já bem mais urbana, a Praia de Odeceixe é suportada por restaurantes, bares, WC’s e alojamentos. Por tudo isto, é mais uma eleita para as “7 Maravilhas – Praias de Portugal” na categoria “Praias de Arribas”. É do alto das arribas que conseguimos observar a sua beleza que, apesar de um mar revolto, permite que as famílias com crianças possam desfrutar dos banhos de rio com mais tranquilidade. Sim, esta é mais uma praia com um afluente que se chama Ribeira de Seixe, que faz a fronteira entre o Alentejo e o Algarve. A vila é bastante simpática e, apesar do tempo frouxo que em pouco tempo nos obrigou a “fugir”, conseguimos perceber o quão dinâmica é. De todos os modos, o regresso está prometido!

Praia Vale dos Homens
O dia tinha sido bastante longo e, como o sol estava escondido, achámos que era o momento de parar para descansar. Assim, já na penumbra, estacionámos a autocaravana no pequeníssimo parque de estacionamento da Praia Vale dos Homens e por aqui pernoitámos, sem qualquer noção da incrível paisagem que viríamos a descobrir na manhã seguinte.
TERCEIRO DIA – Vale dos Homens / Amoreira / Arrifana / Bordeira / Amado / Vila do Bispo / Cordoama / Cabo de São Vicente / Ponta de Sagres / Salema
Praia Vale dos Homens
Acordámos e de imediato saltámos para o exterior da autocaravana. Estava um dia agradável mas o sol estava “envergonhado”, pouco melhor do que o final do dia anterior. Percorremos o topo da encosta e de imediato percebemos que estávamos novamente numa praia selvagem. Sem urbanismo nem comércio, nada que atraísse atenções excessivas, apenas a natureza praticamente intocável. Estávamos na praia Vale dos Homens! Que linda!

A praia está localizada entre Odeceixe e Aljezur e, para descer até ao areal, tivemos que aceder a uma longa escadaria em madeira, a única mão humana presente no local. A paisagem é de cortar a respiração e vale a pena parar e relaxar umas boas horas.

Praia da Amoreira
Um pouco mais a sul e relativamente perto da vila de Aljezur encontrámos a Praia da Amoreira, mais uma praia com um afluente de rio. Está localizada na foz da Ribeira de Aljezur e tem um extenso areal e dunas. No lado norte sobressai o negro da arriba em xisto e do lado sul o verde da vegetação. A beleza da paisagem é fenomenal.

Para chegar à praia é necessário procurar o Pavilhão Gimnodesportivo Municipal relativamente perto do centro de Aljezur. Existe uma indicação com o nome da praia cuja distância é de cerca de 8 quilómetros. Como nos enganámos e decidimos não voltar atrás, acedemos pela zona sul, contudo não há acessos diretos ao areal. Deste lado da praia, existe um bar/restaurante bem simpático e uns quantos miradouros que permitem capturar fotografias dignas de postal.
Praia da Arrifana
Continuando para sul, chegámos à Praia da Arrifana. Esta praia está localizada na simpática e pequena vila piscatória de Arrifana. Insere-se numa zona de elevada importância ecológica e biológica, devido à fauna e à flora que aqui se desenvolvem. A encosta permite a formação de uma pequena baía, protegida do vento e da rebentação das ondas. Por este motivo, a praia que é relativamente longa em extensão mas curta em largura. Tornou-se numa das praias mais atraentes de Aljezur, não só pela inquestionável beleza mas também para a prática de surf ou bodyboard.

O calor que se sentia estava mesmo a convidar ao mergulho que, nem mesmo o acesso difícil (acesso único, sem saída e com bastante inclinação) fez mudar de ideias. Apesar da distância, é aconselhável ir a pé levando apenas o essencial. O prémio é compensador!


Praia da Bordeira
E, inesperadamente, pensei que tinha regressado ao Deserto do Saara. É naturalmente exagero meu, mas para ser sincera não me recordo de ter estado numa praia com um areal tão extenso e de textura tão macia (se calhar, nem mesmo na Figueira da Foz). A praia está localizada a norte da Carrapateira e os acessos são excelentes.

Estacionámos a autocaravana e, depois de almoçarmos, decidimos fazer um bocadinho de praia. Chegámos pelo lado oposto ao oceano e, qual não foi o nosso espanto quando não conseguimos avistar o mar. Do parque de estacionamento em terra batida e atravessámos a Ribeira da Bordeira a pé, onde é possível também fazer praia tranquilamente com crianças. Iniciámos o trajeto pela areia até à beira mar. Pelo caminho e para repôr as energias (sim, a distância é mesmo grande), ainda tivemos oportunidade de tomar café no simpático “Bordeira Beach Bar“.

Contornando a praia pelo lado sul, existe uma estrada alcatroada e passadiços com acesso ao areal que tornam a deslocação mais fácil e mais rápida. Daqui, contemplámos a mistura de cores e o efeito extraordinário da ondulação que se estende por uns belos quilómetros. A paisagem do topo destes passadiços é de cortar a respiração, presenteando desta forma os seus visitantes.
Praia do Amado
De regresso à autocaravana e à estrada, percorremos mais uns poucos quilómetros, mas desta vez até à praia do Amado. A paisagem a norte é dominada pelas cores quentes que, com a mistura do verde da vegetação, compõe um quadro belíssimo. A sul, domina o cinzento do xisto. É uma praia bem movimentada pela prática de atividades desportivas como o surf e bodyboard, onde muitas vezes ocorrem provas nacionais e internacionais. Mesmo assim, é possível encontrar espaços mais tranquilos para desfrutar de um fantástico dia de praia.


Praia da Cordoama
A partir do Mercado Municipal de Vila do Bispo e durante 5 quilómetros pelo Parque Natural, percorremos a estrada alcatroada que nos levou à praia da Cordoama. Colocando o pé na água, obtivemos uma vista fenomenal, que do areal jamais conseguiríamos obter. Apesar de ventosa, o areal a perder de vista e a visão das arribas em sucessivos recortes, progressivamente mais nebulosos, fazem com que esta seja mais uma praia com paisagens de cortar a respiração, mesmo para os mais cépticos. Na maré baixa, o acesso às praias vizinhas, Praia do Castelejo e Praia da Barriga, fica acessível.


Cabo de São Vicente e Ponta de Sagres
Bem pertinho da praia da Cordoama, está o Cabo de São Vicente e a Ponta de Sagres. Não podíamos terminar o dia sem assistir ao pôr do sol no ponto mais a sudoeste da Europa, junto à fortaleza do Cabo de São Vicente, local este que guarda muitas memórias da história de Portugal.

O fim do dia estava solarengo e não podíamos perder a oportunidade de ver este pôr do sol neste ponto tão bonito e importante para Portugal. Por vezes é bem difícil encontrar o tempo liso, perfeito para observar um dos comportamentos mais bonitos da natureza. Claro está que, não é preciso falar da envolvência paisagística – não há descrição possível! Além de termos tido sorte com o tempo também o tivemos com a quantidade de pessoas que passeava no local – estávamos praticamente sozinhos! Foi incrível, mesmo muito bonito!



A Ponta de Sagres é também merecedora de visita, não só pela importância histórica mas pela sua beleza natural e tranquilidade que nesse dia podemos vivenciar. Como já a conhecíamos, não demorámos muito por aqui. O dia já ia longo e o crepúsculo teimava em subir.

Praia da Salema
Acabámos por estacionar a autocaravana num pequenino parque de estacionamento junto à praia da Salema, depois de muita indecisão e de muita procura. A verdade é que não encontrávamos aquele que para nós era o melhor local para estacionar. Provavelmente aqueles que estão habituados a estas “andanças caravanísticas” não terão tantas dificuldades e nem terão a mesma opinião, mas a minha é que não é de todo agradável andar de autocaravana pela costa Algarvia.

Sem querer, o nosso itinerário acabou por ter muita incidência nas praias, mas o interior também não passou despercebido. As pequeninas aldeias, como a de Pedralva, as vilas de Aljezur ou Vila do Bispo, não nos deixaram indiferentes no seu temperamento e na sua beleza muito características. As paisagens que as envolve é já mais algarvia, onde os pinheiros e os montes são mais frequentes e a curva da estrada não nos deixa adivinhar o que vai surgir, se mais uma colina ou o horizonte com o mar a perder de vista. Tudo é incógnito e novidade até surgir. Esse foi mais um aspeto que apreciámos nesta viagem por esta região.
QUARTO DIA – Salema / Ponta Grande / Coelha
Praia da Salema
A manhã estava belíssima, mesmo muito agradável. Não perdemos tempo para desfrutar de uma bela manhã de praia. Pode parecer surpreendente, mas era a primeira vez que eu e o Magno estávamos juntos e sozinhos no Algarve. A manhã serviu essencialmente para banhos de sol e água, leitura e muita conversa.

Em Salema termina a nossa aventura pelo Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, mas não termina a aventura com a autocaravana. Decidimos depois continuar um pouco mais para este, mais concretamente até Lagos, onde tivemos o prazer de almoçar num agradável bar localizado na praia de São Roque.
Como referi no início, a Costa Vicentina termina na Praia do Burgau e, apesar de não termos parado quase tempo nenhum nesta belíssima vila, fica o registo para quem tenha um bocadinho de tempo para a visitar. É uma vila relativamente pequena, à beira mar, em que as casas brancas, as estreitas ruelas e o cheiro a mar marcam quem a visita.
Praia da Ponta Grande
A paragem seguinte, após o almoço, foi na praia da Ponta Grande. Para dizer a verdade, foi uma aventura encontrar esta praia que surge no mapa como sendo um verdadeiro paraíso escondido da encosta algarvia. Os acessos não são nada fáceis e não existem grandes indicações. Basicamente, é necessário chegar até ao “Hotel Baía Grande“, no cruzamento, seguir pela esquerda tentando estacionar por aí e seguir a pé, percorrendo um caminho alcatroado, sem saída e que termina num portão de propriedade privada. Depois é necessário seguir pelo lado direito da propriedade, num percurso pedonal em terra batida e… voilà tentar seguir a sonoridade do mar a bater na rocha!

A praia é solarenga apenas no pico do calor, o areal é pequeno, a água é agitada por existir uma única via de entrada/saída e o vento é praticamente inexistente pelo facto de estar entre falésias. É digna de visita mas pessoalmente aprecio praias menos “claustrofóbicas”. Desta forma e, apesar de não estarem muitas pessoas, molhámos os pés e decidimos visitar outras paragens.
Praia da Coelha
A paragem seguinte foi na praia da Coelha, bem perto de Albufeira. Esta praia é já bem mais conhecida pelos banhistas e, por isso, não ficámos surpreendidos por a termos encontrado bem mais composta de pessoas. Como a “ginástica” de circular com uma autocaravana na costa algarvia não é tarefa fácil e já cansados de procurar um local adequado para estacionar, acabámos por parar aqui e aproveitar o resto da tarde para uns mergulhos.

Ao final do dia, seguimos viagem. A ideia era fazer a viagem para norte de forma menos cansativa, pelo que decidimos pernoitar numa belíssima praia fluvial que tínhamos ouvido falar, localizada a sul do distrito de Évora. E assim foi: chegámos e a lua já ia bastante alta.
QUINTO DIA – Amieira / Reguengos de Monsaraz
Praia Fluvial da Amieira
No dia anterior, estacionámos junto a um braço do Alqueva, mais concretamente na praia fluvial da Amieira, mas sem noção da vista incrível que obteríamos assim que corrêssemos as cortinas da autocaravana na manhã seguinte. E assim foi: o acordar foi encantador, ficámos completamente deslumbrados com o local onde estávamos e a paisagem que tínhamos à nossa frente.

Localizada no concelho de Portel, a praia fluvial da Amieira foi construída em 2019 e, em 2020, foi merecedoramente considerada a praia revelação pelo “Guia das Praias Fluviais“. Rodeada por olivais, a praia de areia fina, com relvado natural, bar de apoio e supervisão, tem as condições perfeitas para passar um fantástico dia em família. Relativamente perto, tem também um ancoradouro onde param muitos barcos e onde desembarcam muitas famílias para aproveitar a indiscutível beleza desta praia.


Aproveitámos a manhã e, a muito custo, “levantámos voo” para outras paragens. Eram horas de almoçar. Se estávamos no Alentejo, não podíamos partir sem degustar os manjares desta região e, assim sendo, decidimos rumar a Reguengos de Monsaraz.
Reguengos de Monsaraz
Chegados a Reguengos de Monsaraz, não perdemos tempo: a fome já apertava! “O Aloendro” esperava por nós para nos servir de entrada os maravilhosos queijo de ovelha e presunto “pata negra” acompanhados pelo típico pão alentejano e o maravilhoso vinho “Tapada do Barão”. Para prato principal escolhemos o verdadeiro secreto de porco preto. Que delícia!


Depois do almoço, seguimos para um café no centro da vila, absorvendo a pacatez tipicamente alentejana. A paisagem que envolve esta vila é encantadora, onde os sobreiros e as oliveiras salpicam a paisagem dos campos cuidadosamente cultivados e onde o vinho é o ex-líbris da região. Ficámos rendidos ao temperamento, prometendo regressar para explorar esta região interior de forma mais intensa.

A nossa viagem de autocaravana terminou aqui e o regresso até ao norte foi tranquilamente feito recordando cada paragem realizada nestes curtos 5 dias. Na memória ficou o sentimento intensamente doce, sonhador e a vontade de conhecer mais não só sobre o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, mas também sobre o interior alentejano com imenso potencial para novas aventuras… Já a aventura de viajar pela primeira vez em autocaravana despertou em nós a vontade de repetir a experiência. É de facto diferente das comodidades de um hotel: os imprevistos que surgem e que nos obrigam a resolver e/ou desenrascar sozinhos, muitas vezes nesse momento, conjugado com a capacidade de adaptação às circunstâncias e a liberdade de poder desfrutar de um local sem a “pressão do relógio” dão ainda mais sentido à palavra “viajar“.
Uma vez mais, saímos da nossa zona de conforto e descobrimos coisas incríveis sobre a nossa cultura, a cultura Portuguesa! Qualquer relato jamais conseguirá transmitir o que vivemos, o que experienciamos e o que sentimos nestes intensos 5 dias.
Pode ainda ver o nosso vídeo aqui (Clique no botão azul).
Óptima reportagem, do melhor que tenho lido e visto. Parabéns e continue . Cumprimentos.👏👏
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Grata pelo seu feedback. É sempre bom recebê-los para poder fazer mais e melhor.
Obrigada uma vez mais!
Cumprimentos.
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Que maravilhoso resumo de uma zona encantadora do nosso país que também tanto gosto.
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Obrigada Olimpio.
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Muito obrigado pela partilha, escrita com um entusiasmo contagiante .
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Obrigada Paulo.
É sempre tão bom receber o retorno daquilo que vamos escrevendo… Obrigada uma vez mais.
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Adorei, também quero fazer essa mesma aventura. Uma questão, dormiram sempre em parques de campismo? Ou arriscaram dormir fora deles?
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Obrigada Sónia!
Nós dormimos sempre fora dos parques de campismo, mas estacionados em zonas devidamente autorizadas.
Utilizavamos os parques na maioria das vezes para a manutenção da autocaravana.
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