Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina em Autocaravana (Primeiro Dia)

São Torpes / Samoqueira / Porto Covo / Ilha do Pessegueiro / Malhão

O dia anterior tinha sido bastante cansativo e, para terminar em beleza, assim que estacionámos a autocaravana, ocorreu a primeira aventura/incerteza: como garantir que o frigorifico tinha ficado corretamente ligado? Confiámos na sorte e até correu bem!

Acordámos não à hora que queríamos mas com a animação proveniente dos turistas que falavam no exterior da autocaravana. Estava um dia agradável e, apesar dos acontecimentos da véspera, não demorámos muito a saltar para o exterior. Estávamos em São Torpes.

Praia de São Torpes

A poucos quilómetros de Sines encontra-se a praia de São Torpes. A localização desta praia confere-lhe algumas particularidades que a tornam conhecida pela elevada temperatura da água, pois beneficia da actividade da Central Termoeléctrica de Sines. Coincidência ou não, neste dia não pudemos comprovar este facto, pois a água estava como costumamos encontrar em outras praias tipicamente portuguesas. Por outro lado, encontrámos várias notícias que remetem para a paragem prolongada da central. Vejamos até quando.

Considero que é uma praia simpática mas não é arrebatadoramente bonita como muitas outras que mais tarde viríamos a conhecer. De qualquer forma é merecedora de visita ou até de uma paragem mais prolongada.

Praia da Samoqueira

A paragem seguinte foi na praia da Samoqueira, bem pertinho de Porto Covo. O areal curto e encrustado nas arribas rochosas moldadas pelo vento, a água transparente e de cor turquesa, grutas e pequenas piscinas naturais escavadas pelo mar compõem a paisagem que, para mim fazem deste local um dos mais deslumbrantes do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Porto Covo

A paisagem da estrada que nos leva costa “abaixo” é incrivelmente bonita, especialmente até chegarmos a Porto Covo. De um lado o oceano Atlântico, que teima em acompanhar-nos durante uns belos quilómetros, do outro encontramos a paisagem tipicamente alentejana, com os solos secos e bravios. E, de tão absorvidos que estávamos, nem notámos pela chegada a Porto Covo. E que bela vila esta! Ficámos rendidos e com os sonhos a pairar nas nossas cabeças…

Tipicamente alentejana, a vila de casas brancas com rodapés azuis, amarelos ou vermelhos, de hospitalidade fácil fez-nos sentir em casa. Percorremos as pequenas ruas pedonais até que a rua Vasco da Gama nos levou à praia dos Buizinhos. Na orla costeira de Porto Covo as praias são igualmente belíssimas e por isso não é fácil escolher uma praia onde possamos estender a toalha. Entre as falésias, encontrámos as pequenas e pitorescas Praia Pequena, Praia do Espingardeiro, Praia Grande e a Praia do Banho.

Ilha do Pessegueiro

Se não fosse um dia Carlos Tê, com toda a certeza absorvido pela beleza deste recanto português, a escrever a letra que um dia Rui Veloso viria a eternizar na musica “Porto Covo”, a Ilha do Pessegueiro talvez passasse incógnita até hoje para a maioria de nós.

Roendo (ou não) uma laranja na falésia” conseguimos de facto absorver a energia do azul do mar e ouvir o rouxinol na redondeza. Vale muito a pena parar ali durante uns belos minutos pois não há melhor sítio para contemplar a beleza do local.

Praia do Malhão

A ultima paragem do dia foi na praia do Malhão e por lá pernoitámos. Para chegar à praia do Malhão é necessário percorrer uma estrada que no início nos pareceu “suspeita”: em terra batida, com muitos relevos e de distância relativamente longa. A zona está praticamente intocável e que bom que é ver esta preservação.

Ao chegar voltámos a ver as falésias e no fundo o areal convidativo para mais uma merecida paragem. Estava vento mas mesmo assim não nos tirou a vontade de estender a toalha na areia e dar um mergulho. Existe também uma linha de passadiços que se estende por toda a encosta da praia e os miradouros existentes permitem uma vista deslumbrante sobre a mesma. Vale a pena observar o pôr do sol fantástico a partir daqui.

Terminámos o primeiro dia quase como o dia anterior: a testar muitas funcionalidades da autocaravana. Desta vez foi o fogão, onde cozinhámos pela primeira vez, o cilindro da água quente, que teimava em não ligar, ou melhor, cujos utilizadores não tinham certeza de estar a proceder de forma correta, a porta da entrada, com a dúvida se estaria bem fechada, entre outras. Uma vez mais, confiámos na sorte e tudo correu bem!

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.