Já utilizei esta foto em outro artigo, mas tenho de a repetir pois resume exatamente o que pretendo transmitir neste que agora escrevo. Escrevo sobre as maravilhosas ilhas Phi Phi, arriscando dizer que são talvez uma das mais bonitas ilhas do sudoeste asiático. As clássicas praias tropicais, as impressionantes formações rochosas e as águas turquesas repletas de vida marinha colorida, fazem deste destino um paraíso perfeito digno das melhores fotos de cartão postal. Foi a meados de Agosto de 2016 que tivemos a oportunidade de visitar este recanto do mundo incrivelmente criado pela mãe natureza. Recordações tão bonitas que guardamos eternamente no coração e que agora partilhamos.

Phi Phi é um conjunto de seis ilhas, sendo que as duas principais são Phi Phi Don e Phi Phi Leh. Ficámos na Phi Phi Don, a maior e habitada que atrai centenas de visitantes para ficar nas suas costas encantadoras. A ilha menor e desabitada é Phi Phi Leh, que abriga baías e praias incrivelmente bonitas, incluindo a mundialmente famosa Maya Bay, que foi o cenário onde “The Beach” (“A Praia“), com Leonardo Di Caprio, foi filmado.
Depois de três dias em Banguecoque, a capital Tailandesa (ler aqui), eis que chegámos às incríveis ilhas Phi Phi (também para outros Pee Pee) após uma hora de avião e mais quarentena e cinco minutos de lancha rápida a partir de Phuket. A viagem de lancha foi turbulenta ao ponto de colocar o Magno indisposto, obrigando-o a sair para o exterior e apanhar um banho da água expelida pela velocidade da própria lancha. Nada desagradável tendo em conta o calor que se sentia. Como na ida tínhamos tentado ser corajosos, no regresso não arriscámos e tomámos o comprimido para o enjoo que a tripulação disponibilizava.

Depois do check in feito (ver o hotel que escolhemos em Hotéis), saímos como de costume para conhecer o hotel e as redondezas. O hotel está bem localizado, contudo é bastante isolado. Não existe quase nada na envolvência, apenas uma pequeníssima povoação de pescadores que, mais tarde, viemos a “contratar” como guias turísticos. Tal como já tínhamos vivenciado nas Maldivas (ler aqui), aproveitámos o tempo para descansar e conhecer alguns costumes da região. Organizámos um plano rápido e super simples que consistia essencialmente em conhecer a zona central da ilha e alguns recantos que sabíamos serem imperdíveis. A questão era: como vamos? O hotel disponibilizava meio de transporte, contudo não estava incluído e não era o que pretendíamos em termos de custo. Todos os dias à mesma hora observávamos dois homens e uma lancha localizados junto à praia, que por vezes víamos partir com turistas a bordo. Numa tarde, fomos questioná-los e descobrimos que faziam estas viagens e o preço era mais acessível. Reservámos então a manhã seguinte para conhecer o centro de Phi Phi Don.

O centro de Phi Phi Don é essencialmente uma zona comercial muito movimentada, onde reside a maioria da população. Existem muitas lojas, prestadores de serviços, restaurantes e pequenos hotéis mais acessíveis. Foi aqui que fizemos a famosa massagem tailandesa, que foi bem mais em conta do que em outros locais: uma experiência que recomendamos vivamente. Percorremos as pequenas ruas pedonais, passando muitas vezes bem perto da casa dos habitantes ao ponto de acharmos que estávamos dentro do seu próprio quintal.



Nesta caminhada recordámos o devastador maremoto e consequente tsunami do Oceano Índico que destruiu quase duzentas e cinquenta mil vidas em países como o Sri Lanka, a Índia, a Tailândia e a Indonésia. Desde então tinham passado doze anos (foi a 26 de dezembro de 2004) mas as marcas estavam ainda bem presentes na população. Em toda a ilha vimos megafones (inclusive no meio da floresta), pontos de encontro e ainda centros de acolhimento localizados estrategicamente nos pontos mais elevados da ilha. Devo dizer que senti um misto de sentimentos e que tentei imaginar o que a população sentira nesse fatídico dia e nos seguintes, mas não consegui.


Procurámos o famoso miradouro que é o postal das Phi Phi e que oferece uma vista maravilhosa sobre o centro da ilha. Andámos quilómetros pelo meio da floresta, quando podíamos ter abreviado a subida por uma viela bem mais a direito. Não importa: a descida foi por aqui e a caminhada feita para a subida valeu bem a pena.


Os famosos Long Tail Boats (barco típico tailandês) levaram-nos de regresso ao hotel e foi aqui que conhecemos a Eva e o Luis, dois portugueses que tinham acabado de chegar às Phi Phi. É uma sensação incrível quando começamos a ouvir falar uma lingua que nos é familiar: de repente pensamos estar em casa. Embarcamos no mesmo barco, com o mesmo destino. Depois desse dia, fizemos praticamente todas as atividades em conjunto.

Como já referi, nas traseiras do hotel existe uma população de pescadores e, tal como já tínhamos reparado, a Eva e o Luis também repararam: podíamos visitar as outras ilhas com eles. Na manhã do dia seguinte, saímos com um pescador a bordo de um Long Tail Boat.

O tempo estava bastante instável mas permitiu visitarmos “Monkey Beach” localizada em Phi Phi Don, fazer snorkeling em Pi Leh Cove, localizada na ilha Phi Phi Leh, e por fim visitarmos a famosa praia de “Maya Bay“, também na mesma ilha.
Monkey Beach, como o próprio nome indica (praia dos macacos), é uma praia formidável e exclusiva às inúmeras famílias de macacos que nela habitam. Lamentavelmente e apesar dos inúmeros avisos existentes no local, os turísticas distraem-se mais com os macacos do que propriamente com a beleza natural da praia, insistindo em dar alimentos aos animais. Sim, tirámos muitas fotos mas também mergulhámos muito, porque a praia e a água são sensacionais.






A paragem seguinte foi em Pi Leh Cove para o snorkeling. Fazer snorkeling neste mar é incrível: a água é transparente e quente, ao ponto de parecer uma piscina. A diferença é que existem peixes das mais variadas formas e cores e a paisagem envolvente de rochas e de árvores que por elas escapam é soberba. O areal da praia é praticamente inexistente e os barcos param em qualquer ponto da baía para que os turístas possam mergulhar ou simplesmente ficarem no barco a apanhar sol e a contemplar a paisagem incrivelmente bela das encostas.





Como já disse em outros artigos sobre a Tailândia, sobretudo fora das zonas citadinas, a maioria dos tailandeses não falam fluentemente inglês pelo que a comunicação é bastante engraçada. A comunicação com o pescador foi feita gestualmente mas acreditem que suficiente para nos fazermos entender. Desta feita, percebemos que naquele dia as condições climatéricas não eram as melhores e o pescador transmitiu-nos isso. Além disso, tinham fechado a entrada principal para a baía de Maya Bay por causa do mau tempo e tínhamos que entrar pela lateral e atravessar a floresta a pé até chegarmos à praia. Insistimos com ele: queríamos ir. Ele sorriu para nós, como se estivesse a troçar, e entregou-nos os coletes sal-vidas. Ficámos apreensivos, a olhar uns para os outros, mas fomos afinal também tínhamos pago para isso. A viagem até Maya Bay foi relativamente demorada ou pelo menos pareceu (cerca de 30 minutos), a ondulação era forte e o tempo estava de facto a mudar à medida que nos aproximávamos de Maya Bay. As razões para a apreensão ficou consolidada quando por fim o pescador desliga o motor do barco e transmite-nos que podíamos ir. Ele ficava no barco à nossa espera… Estavamos a sensivelmente dez metros da escarpa rochosa, sem pé e com a ondulação relativamente agitada. Havia uma escada contruída com cordas por onde alguns turísticas estavam a subir. Lá em cima, aguardavam dois ou três homens que ajudavam a subir e estavam a receber uma pequena quantia pela entrada. A vontade em conhecer o local era tanta que lá acabámos por nos lançarmos à água.

Apesar da água agitada, conseguimos entrar na ilha de forma relativamente tranquila. Percorrermos um pequeno caminho pedestre pelo interior da ilha e chegámos finalmente à famosa praia “Maya Bay“, localizada como já referi na ilha desabitada de Phi Phi Leh. A praia é realmente belíssima porque trata-se de uma baia de água quente, de cor turquesa, rodeada de rochas por todos os lados à exceção de uma pequena abertura por onde entram e saem os barcos. Quem procura imagens desta praia num qualquer motor de busca encontra imensas fotos com a praia cheia de pessoas e a água quase escondida pelos barcos. Por este motivo existem muitos ambientalistas que alertam para o nível de poluição existente, que está a afastar a vida selvagem deste local e que nos deixou de facto sensibilizados para a necessidade de a preservarmos. Por estar mau tempo, conseguimos entrar, não vimos multidões de pessoas nem qualquer ruído excessivo. Aproveitámos todos os minutos, tentando minimizar o mais possível os impactos ambientais associados à nossa visita.



Regressámos a Phi Phi Don na companhia da Eva, do Luis e do pescador que sabiamente navegou uma embarcação aparentemente frágil para um mar que teimava em estar agitado.
Os dias seguintes foram de descanso, praia, água, passeios, exercício físico e divertimento. Houve ainda tempo para mais uma massagem oferecida pelo hotel e uns quantos mergulhos.


As fotos são imensas, difíceis de escolher, por isso deixo abaixo mais algumas que hoje recordo com saudade, bem como o link do video que montámos com algumas imagens que captámos durante a nossa viagem, que inclui também imagens da nossa estadia em Banguecoque (video aqui).







