
Estocolmo é a capital da Suécia e é sem exagero uma das capitais mais bonitas e limpas da Europa. Rodeada de água por todos os lados, Estocolmo é uma cidade serena, atraente e, apesar dos invernos escuros e rigorosos, arriscaria a dizer que é uma das melhores cidades para viver: as diferenças sociais não existem. Em Estocolmo não há prédios demasiadamente grandes, não há poluição, não há trânsito nem buzinas. A água e o verde que rodeiam a cidade são o reflexo da tranquilidade sentida. Há imensas ruas e praças pedonais, jardins, esplanadas, bancos de jardim e tudo está relativamente perto. Há centenas de pessoas que caminham, passeiam e correm em pleno centro da cidade. Na Suécia, a família tem uma importância acrescida onde o incentivo à natalidade é evidente: cruzámo-nos por várias famílias que passeavam com os filhos, 3 ou 4 crianças, todas com pouca diferença de idade, confortavelmente instaladas em carrinhos duplos e triplos. As pessoas, mesmo no inverno, andam na rua a pé, de bicicleta ou de segway, utilizam as excelentes redes de transportes públicos e, muito raramente, o carro. Há pouco tempo li uma frase que se aplica que “nem uma luva”: “país desenvolvido não é aquele onde pobre anda de carro, mas sim aquele onde rico anda de transporte público”.

Visitámos Estocolmo no final do inverno, aproveitando o fim de semana do carnaval de 2020. Estava frio e por isso fomos preparados. Para tornar a viagem mais barata, decidimos fazer escala em Madrid, saindo de Lisboa. No total foram cerca de cinco horas de viagem, sem o tempo das escalas pelo meio. Chegámos a Estocolmo na hora de almoço de Sábado. Almoçamos e começámos a procurar os locais para comprar os passes dos transportes públicos. Tínhamos lido maravilhas do “The Stockholm Card” que além do acesso aos transportes públicos também permitia a entrada na maioria dos museus. Mas para nossa desilusão, tinham abolido este cartão uns meses antes. Não sendo possível, acabámos por comprar apenas o bilhete de comboio até à estação central. Podíamos também ter feito a viagem de autocarro contudo, e apesar de ser mais barata, demoraria muito mais tempo e nós queríamos aproveitar todos os minutos.



Já na Estação Central procurámos um ponto de informação onde comprámos os bilhetes para os transportes públicos para as setenta e duas horas seguintes e também o passe “Iventure Card” que, entre outras coisas, dá acesso a um conjunto de museus. Estocolmo não é uma cidade propriamente barata e, apesar deste custo ter sido dispendioso, permitiu que nos dias seguintes apenas tivéssemos que gastar dinheiro com a alimentação e um ou outro museu não contemplado no “Iventure Card“.


Estando os mapas da cidade e do metro já estudados, era hora de “pôr pés ao caminho”. Fizemos o check in no hotel (ver em “Hotéis“) e saímos apenas com o indispensável. Partimos em direção ao centro histórico de Estocolmo, Gamla Stan, que se destaca pelas suas ruas estreitas calcetadas, o colorido dos edifícios, os restaurantes e as lojas pitorescas. Vale a pena percorrer a movimentada rua Vasterlanggatan.

Nesta zona está também o Museu Nobel que faz referência a Alfred Nobel, a todos os galardoados e descrição dos feitos. É um museu muito interativo, atualizadíssimo e global. Claro está que, procurámos pelos nossos portugueses José Saramago e o conterrâneo Egas Moniz. Que orgulho sentimos…!




A ilha Djugarden é o local ideal para relaxar num dia soalheiro pois está localizado bem perto do centro e é repleto de locais verdes onde se podem até fazer piqueniques. Existem muitos cafés, restaurantes e vários museus imperdíveis, entre eles o Museu Skansen. A entrada principal é a que surge na fotografia abaixo à direita e não a da esquerda, contrariamente ao que aparece em muitos sites e que causa muita confusão aos turistas.


Skansen é o museu ao ar livre mais antigo do mundo (construído em 1891) e é uma das atrações mais populares de Estocolmo. Conta-nos cinco séculos de histórias da Suécia, através das casas tradicionais, quintas, igrejas e ainda inclui um pequeno zoo com animais nórdicos, selvagens e domésticos. Existem lojas, restaurantes, cafetarias e espaços típicos para refeições para que possamos passar lá o dia completo. Skansen ocupa uma área de cerca de 30 hectares, por isso é necessário algum tempo para visitá-lo.




Também localizado na ilha Djugarden, o Museu Nordiska é também um ponto de referência à cultura e história da Suécia, fundado na mesma altura que o Museu Skansen.
Bem perto do Skansen está o Museu Vasa. Este museu é bastante popular em Estocolmo e acolhe “apenas” um enorme navio do seculo XVII que mantém noventa e cinco por cento da sua estrutura original preservada. Afundou em 1628, logo depois de ter partido do porto, e foi resgatado em 1961, 333 anos depois. A exposição oferece uma perspetiva única da Suécia do início do século XVII, conta a história do navio e tem ainda mais nove exposições relacionadas.

Também nesta ilha e bem perto de Skansen está o Museu dos ABBA. É um espaço que homenageia a carreira dos membros da banda através das roupas, letras, histórias, filmes e musicais. É um espaço divertido e imperdível mesmo para quem nem aprecia o estilo musical.





Era hora de descansar as pernas e por isso aproveitámos a oportunidade para conhecer a cidade com a ajuda do “Iventure Card“. Entre outras coisas este cartão disponibiliza viagens de autocarro e barco panorâmicos e com audioguia em quatorze línguas, incluindo o português. O barco faz cerca de oito paragens e o autocarro cerca de vinte, onde os passageiros podem entrar e sair quantas vezes quiserem. De forma faseada, não perdemos a oportunidade das duas viagens.
Na ilha de Lovon, já fora do centro da cidade mas não muito distante, encontra-se o Palácio de Drottningholm, a residência privada da família real sueca. Já tinha lido bastante sobre o Palácio e por isso a curiosidade em conhecer era grande. Apesar de ser fora do centro da cidade, o Magno fez-me a vontade e lá fomos nós: apanhámos o metro até Brommaplan e depois um autocarro (176-177 ou 301-323) até Drottningholm. A viagem dura cerca de trinta minutos e faz-se tranquilamente.


Apesar do frio, estava um dia muito bonito e cruzámo-nos por muito poucas pessoas. Assistimos ao modesto render da guarda e ainda passeámos pelos jardins reais (às zonas acessíveis claro). O palácio do século XVII é reflexo da combinação de múltiplas influências arquitetónicas e é Património Mundial pela UNESCO. Não conseguimos visitar o interior, mas existem visitas organizadas que devem de ser previstas com antecedência.


Visitar Estocolmo e não andar na linha de metro (Tunnelbana) desta cidade é impensável. As estações de metro da cidade são verdadeiras exposições de arte. A maioria das estações está decorada com esculturas, mosaicos, iluminação especial, azulejos, pinturas, gravuras, relevos de mais de 150 artistas e o resultado é formidável. Nós chegámos ao ponto de reservar uma manhã para fazer um tour para visitar algumas delas. Abaixo deixo algumas sugestões que considero merecerem destaque:
- Na linha azul: Kungsträdgården, T-centralen, Rådhuset, Fridhemsplan, Västra Skogen, Solna Centrum Tensta;
- Na linha vermelha: Universitetet, Tekniska Högskolan, Stadion;
- Na linha verde: Hötorget, Thorildsplan e Bagarmossen








Sempre que utilizávamos o elevador do hotel, víamos um edifício em forma de globo e relativamente alto, com duas esferas que se movimentavam. A nossa curiosidade levou-nos a concluir que seria o “SkyView” localizado no “Ericsson Globe“. Curiosamente o “Iventure Card” dava acesso e nós aproveitámos. As duas gôndolas partem a cada 10 minutos, a visita inteira dura cerca de 30 minutos, atinge uma altura de 130 metros e oferece a melhor vista sobre a cidade.



A nossa viagem não podia terminar sem conhecer, claro está, um dos estádios da cidade, o “Tele2Arena“, que está localizado precisamente ao lado do SkyView. Acabámos o dia a ver o jogo de futebol do Harmmaby, um dos clubes da cidade.

A Câmara de Estocolmo (The City Hall) é um dos edifícios mais importantes da cidade. É aqui que decorre o banquete Nobel. A sua construção é bastante popular porque foi construída a partir de oito milhões de tijolos, está aberta ao público apenas com visitas guiadas e a torre de cento e seis metros oferece uma vista incrível sobre a cidade. Não pudemos visitar pois, para nossa desilusão, está aberta ao público apenas no verão.

Entre visitas aos museus e paragens para as refeições, muitos quilómetros foram percorridos. Ainda que possa ser um pouco cansativo, vale a pena caminhar pela cidade, bebendo um café e absorver o dia a dia dos suecos. O passeio por Drottninggatan (Rua da Rainha) é imperdível. Trata-se de uma rua maioritariamente pedonal com cerca de 1,5 quilómetros de extensão e começa na ponte Riksbron, sobre o canal da Norrstrom. A rua é muito movimentada e existem muitos restaurantes, bares, cafés e lojas.




Há muito a fazer na cidade: os museus são imensos e muitos de entrada livre e as atividades ao ar livre não acabam. Estocolmo é uma cidade urbana mas ao mesmo tempo próxima da natureza, que qualquer visitante não fica indiferente ao seu temperamento. É uma cidade emotiva, dinâmica e cosmopolita, que consegue oferecer um conjunto bastante diversificado tanto às pessoas que nela habitam como a quem a visita.


Veja o video com o resumo da nossa viagem – Estocolmo 2020 (aqui).