Cuba há muito que despertava a nossa atenção. A cultura muito própria deste país fazia com que a curiosidade aumentasse sempre que víssemos uma fotografia, de cada vez que lêssemos um artigo ou simplesmente quando a conversa se dirigisse neste sentido. Não procurávamos apenas os cenários paradisíacos mas conhecer a diferença, ainda que bastante diferente daquilo a que estamos habituados. Estava decidido: Cuba seria então o nosso próximo destino.


Quando penso em Cuba, à memória surgem os automóveis antigos, a política conservadora e o calor tropical intenso, mesmo em época baixa. É um país banhado pelo mar do Caribe e está localizado bem perto de Miami (Estados Unidos da América).
Esta nova aventura começou bem cedo com a preparação atempada da viagem. Os voos de ida e volta para Varadero foram de aproximadamente nove horas cada um. As nossas deslocações ainda em Portugal foram feitas uma vez mais de comboio e de metro. As viagens de comboio foram reservadas no momento da marcação dos voos e, por isso, obtivemos de imediato desconto. As viagens de metro foram adquiridas quando chegámos à estação. Foi super prático, rápido e bem mais económico. O voo de ida estava previsto só para o final do dia, mas a experiência ditava que deveríamos sair de casa bem cedo. Chegámos a Varadero pela hora do jantar, menos cinco horas do que em Portugal. Este horário fez com que não sentíssemos os efeitos do “jet leg” e pudéssemos descansar para aproveitar bem o dia seguinte.

O primeiro dia começou cedo com a ida à praia. E que dia incrível que estava! Só me recordo de encontrar água tão quente e transparente nas Maldivas. Aproveitámos este dia para descansar, explorar o hotel e a redondeza.


O dia seguinte estava reservado para a viagem a Havana, a capital de Cuba e a cidade que, como muitos dizem, é um museu a céu aberto. A viagem foi feita num carro clássico conduzido pelo nosso amigo Dariel Torres.

A viagem demorou cerca de duas horas, com uma paragem na “Puente de Bacunayagua“, mais conhecida por “Puente de la Suegra“, a mais alta de Cuba. A “piña colada” vendida também aqui e a melhor que provei até hoje, compôs o cenário ideal para desfrutar da fabulosa paisagem.


Em Havana esperava-nos o Carlos, o guia que nos acompanhou o resto do dia. Havana está dividida em duas partes: a zona antiga e a zona nova. De manhã andámos pela zona antiga, onde a história está fortemente enraizada e o turismo tem uma importância enorme para a economia do país.


Enquanto passeamos pelas ruas vamos escutando a salsa ou a rumba e, uma vez por outra, alguém que vai bailando bem no meio da rua. Para quem gosta de dançar, é de facto bastante difícil resistir a um “pezinho de dança”.



O Carlos mostrou-nos os “cantinhos” mais inóspitos da cidade, todos eles com histórias para contar. O “Castillo del Morro” tem uma vista incrível sobre a cidade velha. Quando autorizados, esta é a porta de entrada dos vários cruzeiros que percorrem o mar do Caribe.

Estivemos na emblemática “Plaza De La Revolución”, o palco dos comícios políticos do líder carismático Fidel Castro e de tantas outras histórias políticas que o país viveu. Na praça é possível ver a imponente homenagem a 3 figuras importantíssimas na história do país: Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos. Na mesma praça está um memorial e uma torre de observação sobre Havana dedicado a José Marti, um pensador e poeta, com um museu sobre o seu papel na construção de uma Cuba livre.



A paragem seguinte foi junto ao famoso “Capitólio”, que foi sede do corpo legislativo até aos anos 50 e hoje é intitulado de monumento nacional. Atualmente alberga o Ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, a Academia Cubana das Ciências e a Biblioteca Nacional de Ciência e Tecnologia. Na escadaria da entrada encontram-se duas estátuas que representam o “trabalho e a virtude tutelar”. Por baixo da cúpula de mais de 90 m de altura, um diamante de origem russa (hoje de paradeiro desconhecido), que marcava a distância a qualquer ponto do país.

Bem perto do Capitólio encontra-se o “El Floridita”, um famoso bar de 1817 (na altura ainda com outro nome) onde o Carlos nos levou a provar o verdadeiro e original Daiquiri, a mistura simples de rum, açúcar e sumo de lima. O cocktail foi inventado por um engenheiro americano que na altura não teve noção da sua criação. A história do Daiquiri é fabulosa e vale a pena conhecer, bem como a história que envolve o “El Floridita”.


Antes do regresso, houve ainda tempo para correr mais algumas ruas de Havana com o Carlos que nos foi contando histórias incríveis de Cuba e dos Cubanos. São estas histórias que nos fazem crescer, entender a vida e o que de mais bonita ela tem para nós. É isto que mais gostamos de absorver nas viagens que fazemos. Estamos-lhe (ao Carlos) gratos por isso… Ao final do dia regressámos com o Dariel para Varadero.


No dia seguinte seguimos de catamarã para a ilha “Cayo Blanco”. Fizemos um excursão que incluía o almoço na ilha, snorkeling e a interação com golfinhos.

A interação com os golfinhos já não era novidade para nós mas não desperdiçámos a oportunidade de aprender um pouco mais sobre este animais que adoramos. Estes golfinhos encontram-se num centro de observação e conservação localizado em alto mar. A paragem para o snorkeling também aconteceu. Disponibilizaram-nos o respetivo equipamento e lá fomos nós. Fabuloso!


Mais um bocadinho e chagámos a Cayo Blanco, uma ilha paradisíaca deserta. Ainda que com algumas nuvens, o calor era imenso e não havia ponta de vento. A água é quente. A areia é tão fina que parece farinha e tão quente que queima a planta dos pés. Na ilha existe apenas um espaço para as refeições, uma cozinha/bar de suporte e casas de banho. A paragem para almoço e para aproveitar a praia foi de quase 3 horas.


Os dias seguintes foram de descanso e entretenimento em Varadero. Numa manhã, logo depois do pequeno almoço, apanhámos um autocarro turístico e percorremos a península. Podíamos sair em qualquer paragem e voltar a entrar e foi assim que descobrimos o centro de mergulho de Varadero. Na cabeça não saia a ideia de um dia poder fazer mergulho e eis que surge a oportunidade que, naturalmente, não a desperdiçamos. A experiência foi incrível e por isso um dia voltaremos a repetir.


Em Cuba nunca sentimos insegurança. As regras são claras e, por menor que seja o problema, as penas podem ser bem pesadas. É também por este facto que existe uma quantidade significativa de turistas que ficam alojados em casas particulares em vez dos hotéis e resorts. Apesar de não ter sido esta a nossa opção, não temos dúvida que torna a viagem bem mais em conta. As praias são públicas, ao contrário do que já vimos em muitos outros países, e por este motivo é bastante frequente nos fins de semana encontrarmos famílias nas praias.



Regressámos a Portugal com o sentimento de que muito mais haveria por descobrir, a genuinidade de outras gentes e de outras cidades.
Veja o video que criámos da nossa viagem a Cuba – Video de Cuba.

