Quando comecei a escrever este artigo não lhe dei um título de início porque não sabia para onde ia. Estava no aeroporto de Lisboa, eram 22h30 de sexta-feira e, à meia-noite, íamos embarcar. Sim, é verdade que podia ter procurado informação, mas também queria manter o fator surpresa. O Magno decidira organizar um fim de semana diferente e por isso pediu-me total disponibilidade para 4 dias, não me informando absolutamente de nada. Achei a ideia engraçada e como é óbvio alinhei. A expectativa e a curiosidade eram enormes! Sabia que, independentemente do lugar escolhido, iria adorar.

Budapeste! Este foi o destino. Também conhecida como “Paris do leste Europeu”, esta é a capital da Hungria, um país localizado, como referi, a este da Europa. Uma cidade que mistura tradição e modernidade impossíveis de esquecer.
Chegámos às 5 horas (mais uma hora que em Portugal) e por isso acabámos por ficar pelo aeroporto a fazer horas para chegar ao centro da cidade. Enquanto esperávamos, aproveitámos para fazer o cambio de algum dinheiro, uma vez que a moeda local não é o euro. Também aproveitámos o tempo disponível para comer alguma coisa e comprar os bilhetes para as deslocações dos próximos dias. Optámos pelos transportes públicos para as viagens mais longas porque torna a viagem bem mais barata. As viagens mais curtas decidimos fazê-las a pé. No aeroporto ainda não existe metro, pelo que tivemos de apanhar um autocarro no aeroporto para a estação de metro mais próxima. Assim que chegámos à estação, a primeira dificuldade surgiu: “where is metro?” (onde está o metro)? Andámos a vaguear pela pequena estação durante alguns minutos. Ainda tentámos perguntar no balcão de informações mas a senhora não falava inglês e também não se esforçou minimamente por tentar ajudar-nos. OK, no problem! Entretanto, vimos uma senhora aproximar-se, tentando comunicar ora numa espécie de inglês ora húngaro, indicando a direção e informando que era um autocarro e não um metro. A estação estava em obras, por isso fechada e sem grande informação. Pelo caminho, ajudámos uma família de franceses com o mesmo problema. Afinal o problema não estava na nossa visão.
A chegada ao centro acabou por ocorrer de forma mais pacífica. Deixámos as nossas coisas no hotel e saímos para fazer uma excursão que o Magno planeou. Fomos visitar os locais mais emblemáticos da cidade, acompanhados por um guia, que facilitou bastante a nossa visita, sobretudo para termos a percepção de como está organizada a cidade. Além disso, ainda tivemos a oportunidade de receber algumas sugestões e alertas.


Museu Etnográfico (Néprajzi Múzeum)
Ponte da Liberdade (Szabadság híd)

Bastião dos Pescadores
(Schulek Frigyes Lépcső)

Bastião dos Pescadores e Estátua de São Estevão
(Szent István szobra)

Igreja de Mathias
(Mátyás Templom)

Vista sobre Peste a partir de Buda

Ilha Margaret (Margitsziget – By Dicas da Europa)

Castelo de Buda (Budavári Palota)
O almoço ocorreu de forma muito rápida e leve, porque logo depois tivemos oportunidade de visitar o emblemático e imponente edifício do parlamento húngaro. Se o exterior é riquíssimo de pormenores, o interior não fica nada atrás. Este é um dos ex-líbris da cidade quer pela sua dimensão, quer pela sua arquitetura.

Parlamento Húngaro (Országház) 
Parlamento Húngaro e Memorial 
Parlamento Húngaro (Országház) a partir do Bastião dos Pescadores

Interior Parlamento 
Interior Parlamento

Interior Parlamento 
Interior Parlamento
A visita durou cerca de uma hora pelo que ainda tivemos bastante tempo de regressar a alguns locais da visita realizada pela manhã e de vaguear um pouco mais pelas ruas da cidade.

Basílica São Estevão
(Szent István Király Bazilika)
Avenidas pedonais



Rio Danúbio
O final do dia não podia terminar sem visitar o estádio de futebol do clube mais carismático da cidade – o Ferencvaros no Groupama Aréna.

Depois de jantar regressámos ao hotel para o merecido descanso. O dia seguinte exigia frescura. Sabia que seria uma viagem de comboio, mas não sabia o destino. Acordámos às 4h30 e às 5h40 estávamos a sair num comboio regional, em direção a Bratislava, capital da Eslováquia. Passámos lá o dia, regressando à noite. Fica prometido que Bratislava será o tema para um próximo artigo.

Interior da estação de comboios
Regressámos a Budapeste por volta das 20h e aproveitámos para jantar num restaurante simpático que no dia anterior tinha ficado na memória. Pedimos sugestões de comida típica húngara. Para o Magno serviram “Marha Pörkölt” e para mim “Csirkepaprikas“. A base destes dois pratos é a paprika, que é considerada uma especiaria derivada do pimento, e é acompanhada com carne. Não é um prato picante e a sua utilização está bem presente na gastronomia húngara.

Marha Pörkölt
Csirkepaprikas
Paprika
A sobremesa foi “Sült szilvásderelye” um doce também tipicamente húngaro. Na base tem almofadinhas quentes de massa doce recheadas com doce de ameixa, cobertas por leite condensado e natas bem frescas. A conjugação dos sabores é fenomenal.

No dia seguinte tive mais uma surpresa. Como não tinha pesquisado nada acerca desta cidade e a oportunidade para a pesquisa até então tinha sido muito pouca, não sabia minimamente o que ia acontecer. O Magno tinha reservado a manhã para desfrutarmos das piscinas naturais de água quente. A cidade é rica em águas quentes e iríamos estar nas maiores termas da Europa. A água quente é proveniente de duas nascentes termais mais profundas, cujas temperaturas rondam os 75ºC. Estas águas são encaminhadas para este complexo termal inaugurado em 1913. É composto por 3 piscinas exteriores e 15 interiores, cuja temperatura ronda na maioria delas os 30ºC. Existem também de água fria, cujo objetivo é naturalmente terapêutico. O Magno experimentou, já eu não tive coragem! Quando chegámos, a temperatura exterior rondava os 8ºC, fazendo com que as diferenças de temperatura libertassem vapor e criassem um ambiente diferente no espaço envolvente. Para mim, que adoro água, foi uma experiência excecional e única, sobretudo porque nunca tinha entrado num complexo termal.

Exterior do complexo termal Széchenyi
(Széchenyi Gyógyfürdő és Uszoda)





Interior do complexo termal Széchenyi
(Széchenyi Gyógyfürdő és Uszoda)
Bem perto do complexo termal, encontra-se o jardim da cidade onde estão também inseridos o Castelo de Vajdahunyad e a famosa pista de gelo da cidade. Para desilusão nossa, a pista de patinagem tinha sido encerrada à poucas semanas, e por isso já não houve oportunidade de experimentar nem de criar animação em redor!

Pista de patinagem no gelo
(Városligeti Műjégpálya és Csónakázótó)
Castelo de Vajdahunyad
(Vajdahunyad vára)
Fomos almoçar ao famoso mercado central de Budapeste. É um edifício do século XIX e está localizado bem no centro da cidade. Existe uma infinidade de coisas que se podem comprar e claro que a zona da alimentação também não podia faltar. Gosto sempre de conhecer o principal mercado das cidades. Transmitem muita informação sobre a cidade e sobre as pessoas que nela habitam.

Fachada do Mercado Central
(Nagy Vásárcsarnok)

Interior do Mercado Central



A tarde foi passada novamente na rua, vagueando pelas avenidas da cidade, apreciando os pormenores da arquitetura barroca tão demarcada nos edifícios da cidade. A grande Budapeste localiza-se nas margens do rio Danúbio e é composta na margem direita pela cidade Buda e na margem esquerda pela cidade Peste (sentido da corrente do rio – na foto abaixo encontra-se por isso ao contrário: lado esquerdo Buda, lado direito Peste).

Ponte das Correntes a partir dos jardins do Castelo de Buda
Os momentos mais marcantes da história da Hungria estão ainda bastante presentes e Budapeste tem muitos memoriais que fazem referência a isso. A Segunda Guerra Mundial deixou marcas que ainda hoje estão bem presentes na cidade e diria que até no dia-a-dia nos húngaros. Não fiquei indiferente e penso que a maioria dos turistas que visita o país e a cidade também não ficam. Abaixo mostro um dos muitos memoriais de homenagem às vítimas do holocausto. São sapatos de homens, mulheres, crianças e até de bebés, da alta e baixa sociedade. Diz a história que, era nas margens do rio Danúbio que muitas vítimas eram perfiladas, despidas e de seguida alvejadas pelas costas. É por este motivo que dizem que o Danúbio é um rio contaminado.
Visitámos ainda a Sinagoga de Budapeste. É a maior Sinagoga da Europa, a segunda maior do mundo, que tem capacidade para acolher 3000 pessoas, em 2 níveis diferentes – nas celebrações os homens ficam no nível inferior e as mulheres no nível superior.

Fachada da Sinagoga
(Dohány utcai Zsinagóga)
No interior da Sinagoga também é bem visível as consequências da Segunda Guerra Mundial. A Sinagoga chegou a ser parcialmente destruída e, posteriormente, algumas pessoas contribuíram para a sua reconstrução. Algumas dessas pessoas estão identificadas nos bancos da Sinagoga.

Interior da Sinagoga 
Benfeitores da reconstrução
Onde são hoje os jardins da Sinagoga, a 18 de Janeiro de 1945 foram encontrados muitos corpos de vítimas do holocausto. Estas pessoas foram sepultadas aqui e cada uma tem o seu nome com a respetiva data de nascimento registados numa lápide. Este espaço é hoje um memorial.
Foram também edificados monumentos simbólicos como a árvore da vida, onde nas “folhas” estão identificados os nomes de cada vítima, e uma lápide identificando muitas das pessoas que protegeram os Judeus no auge da guerra. Nesta pedra está também o nome de um português. As pedras são para os Judeus como as flores para os Cristãos.

Árvore da vida


Relativamente perto da Praça dos Heróis encontra-se a Casa do Terror, um museu que ilustra perfeitamente a época controversa por que passaram milhares de húngaros e que nos fez recordar muitas histórias lidas e contadas.

Casa do Terror 
Memorial
A cidade é belíssima quer de dia quer de noite, mas para mim, a noite tem uma magia especial. O jantar foi a bordo de um barco que deslizou sobre o Danúbio e nos permitiu ver a magia que descrevi à pouco. Um cruzeiro imperdível. Pelo meio, ainda tivemos oportunidade de provar a famosa Sopa Goulash, tipicamente húngara.

Sopa Goulash
Depois de jantar, decidimos subir de novo ao Bastião dos Pescadores, onde tínhamos estado no dia anterior. O objetivo era observar a cidade durante a noite. Pelo caminho fomos tendo a perceção de que, o que íamos encontrar, iria ser arrebatador.

Ponte das Correntes
(Ponte Széchenyi Lánchíd)
Ponte da Liberdade
(Szabadság híd)

O trajeto até ao Bastião dos Pescadores demora sensivelmente 20 minutos a pé. Estava uma noite bastante agradável e, pelo caminho, fomos encontrando poucas pessoas o que de certa forma nos surpreendeu: no dia anterior mal conseguiamos circular. Estavam 3 casais apenas e por isso a tranquilidade era incrível e permitiu observar pormenorizadamente a cidade de Peste.



Budapeste é apaixonante! É realmente uma cidade belíssima, recheada de tesouros, onde a tradição e a modernidade convivem lado a lado. Considerada um dos destinos turísticos mais populares da Europa, Budapeste é uma cidade que “respira” cultura, onde a música e a dança (o folclore e não só) estão entranhadas nos seus habitantes e é capaz de contagiar qualquer visitante.

Parlamento Húngaro
Budapeste ficará carinhosamente na minha memória, quer pelo contexto da viagem quer por aquilo que fantasticamente encontrámos. Gosto muito de conhecer novas cidades, mas esta é uma daquelas que não me importava de revisitar.
Veja o video aqui: Budapeste (Hungria) 2019 – Magno & Sílvia







