Idioma oficial
O Sri Lanka possui duas línguas oficiais: o cingalês e o tâmil, mas devido ao turismo, muitos nativos falam inglês fluentemente. As pessoas são simpáticas e estão sempre disponíveis para compreender e fazer-se entender.
A moeda e as gorjetas
A moeda local é a rúpia do Sri Lanka e as gorjetas são frequentes e absolutamente normais. Contudo, este foi um facto constatado ao final do primeiro dia e diga-se que foi um episódio que ainda hoje nos faz rir, mas que na altura nos deixou um pouco envergonhados e desconfortáveis.
O funcionário de um dos hotéis levou, achávamos nós, gentilmente as bagagens para o quarto e ainda teve o cuidado de explicar tudo dentro do mesmo. No final e quando esperávamos que se fosse embora, ficou à porta do quarto, mesmo debaixo da soleira da porta, calado e aguardando algo. Constatámos então que seria a ausência da dita gorjeta. Lá retirámos da carteira cerca de 5 rúpias (LKR – Sri Lankan Rupee – moeda cingalesa), que mais tarde e depois de fazer contas, equivalia a cerca de 0.03€… Este era o primeiro contacto com a moeda local. Bem, a cara do homem ficou “cravada” ora em nós, ora na sua mão com as 5 rúpias… 10 segundos depois, o homem virou costas e foi-se embora. Só mais tarde entendemos o que realmente tinha sucedido e, além disso, soubemos que o valor médio para uma gorjeta aceitável, tendo em conta este contexto, é de pelo menos 150 rúpias (cerca de 1€).
Voos / Atrasos / Escalas / Remarcações & Desmarcações
Neste tipo de viagens, longas, cansativas e com voos de ligação pelo meio, é sempre aconselhável chegar bem cedo aos aeroportos e estar bem atento a eventuais alterações de horários ou de portas de embarque.
Já sabíamos de tudo isto, contudo nesta viagem, esquecemo-nos de alguns pormenores. O trajeto previsto era:
Porto > Lisboa > Dubai > Colombo > Malé > Dubai > Lisboa > Porto
As companhias aéreas entre o Porto e Lisboa eram diferentes e, entre a chegada de um e a partida de outro, apenas tínhamos uma hora. O primeiro voo atrasou precisamente uma hora. Resultado: perdemos o voo em Lisboa, que nos levaria ao Dubai. No meio de tanta correria em direção à porta de embarque, que tinha ficado precisamente no lado oposto, a frustração foi ainda maior porque
conseguimos ver o avião a fazer-se à pista! Connosco estavam outros casais, também em lua de mel, tão ou mais frustrados que nós. O resto da tarde foi a remarcar voos e a recuperar a bagagem, que andava perdida algures pelo aeroporto. Mais tarde e de cabeça fria, acabámos também por concluir que, se tivéssemos conseguido embarcar, as nossas bagagens não teriam sido colocadas nesse avião, pois não teria dado tempo para fazer a transferência entre aviões.
No regresso, mais precisamente no voo que nos levaria de Colombo (Sri Lanka) para Malé (Maldivas), nova aventura acontece. Como tínhamos perdido o voo em Lisboa, no momento de remarcar os voos (Lisboa-Dubai e Dubai-Colombo), por equívoco, outros voos foram desmarcados (Colombo-Malé, Malé-Dubai e Dubai-Lisboa). Isto é, não tínhamos voo para sair do Sri Lanka. Confuso, não é! Pois, também achámos! Só percebemos que não tínhamos voos no balcão de check-in, para sair do Sri Lanka. A sorte foi termos imprimido os documentos e uma assistente simpática e eficaz, que pacientemente nos ouviu. No meio de tanta papelada/confusão, os passaportes iam ficando no balcão do aeroporto. Já praticamente a chegar à porta de embarque, ouvimos alguém atrás de nós a gritar pelo nome do Magno. Era a assistente, que corria pelo aeroporto e que freneticamente agitava no ar os nossos passaportes. E eis que, de repente, sentimos meio aeroporto de “olhos postos em nós”! Enfim… cena indescritível! Depois de tudo isto, sentimo-nos “pós-graduados” em “VOOS / ATRASOS / ESCALAS / REMARCAÇÕES & DESMARCAÇÕES”.
Guias turísticos
O guia que nos acompanhou era cingalês, mas falava inglês. A agência deu-nos a hipótese de escolher outra língua que para nós fosse mais familiar, como o espanhol, mas ficava mais caro e o inglês não é um problema. A decisão de ter um guia surgiu primeiramente porque não sabíamos muito bem o que íamos encontrar, a aventura não era propriamente connosco. A verdade é que a Ásia amedrontava-nos. Com o Ananda (o guia) tivemos a oportunidade de ouvir historias incríveis e particulares, de conhecer pontos únicos, que dificilmente encontramos nos livros, de comunicar com alguém que pertence àquela terra, de entender determinados costumes que são diferentes dos nossos e que nos levam a estar sensíveis a determinados comportamentos. Claro que o guia pode apenas levar-nos aos pontos que mais lhe “interessam” e a verdade é que em determinados momentos sentimos isso. Mas, apesar de tudo, considero que a escolha do guia foi uma excelente decisão e aconselho vivamente.
Os guias turísticas no Sri Lanka são frequentes. Contudo, ressalvo que existem muitos que não são credenciados e voluntariam-se de forma espontânea a acompanhar-nos. No fim da visita, exigem a gorjeta. Um episódio deste género aconteceu connosco quando visitámos o Lion Rock. Subimos sem o Ananda e, chegados ao topo da rocha (curiosamente) esperava-nos um senhor que se voluntariou a acompanhar-nos. No fim, exigiu-nos 1500 rupias (cerca de 10€) de gorjeta. Oferecemos cerca de 150 rupias, mas o homem ainda ficou aborrecido. Nestes casos é preferível comunicar e deixar bem claro logo no início que não queremos que o faça.
Horários / Filas intermináveis
Saltar da caminha bem cedo e aproveitar o dia é o principal conselho para evitar filas intermináveis de pessoas. Além disso, neste tipo de países, cujo clima é tantas vezes desconfortante, é bastante mais agradável fugir do calor. Foi o que fizemos e o resultado foi bastante positivo. Aconselho sobretudo no Lion Rock, no templo sagrado “Relíquia do dente” e no orfanato de elefantes, em Pinnawala. Se está por sua conta, pesquise os preços e os respetivos horários, para poder chegar o mais cedo possível e poder circular calmamente e sem confusões.
WIFI / Comunicações
O sinal não era muito bom, mas suficiente para pelo menos garantir à família que estávamos bem. Nos hotéis, apesar de limitada, era maioritariamente gratuita. Acredito que com o tempo, a evolução tenderá a chegar e a contribuir para melhorar este ponto.
Visto
É obrigatório e pode ser pedido de forma online na seguinte página: www.eta.gov.lk. Tem um custo de cerca de 15 USD/pessoa até 7 dias ou de 50 USD/pessoa até 30 dias.
Fuso Horário
O fuso horário é de mais 5 horas, em relação a Lisboa. No início foi um bocadinho difícil ultrapassar o efeito do jet lag, mas nada como seguir alguns conselhos que minimizem esses efeitos – www.lufthansa.com/pt/pt/Jet-lag
Vestuário vs Tradições
Aconselham-se roupas leves e, se possível,
de algodão. Nas zonas mais elevadas por vezes faz frio e chove, pelo que é essencial ter roupa quente e impermeável, como em qualquer país tropical. De todos os modos e porque o sol tropical é muito forte, também não esquecer de sapatos confortáveis, sandálias, chapéu, óculos de sol, protetor solar e repelente dos insetos.
Nos templos, é necessário ter cuidado para não expor os membros inferiores e os ombros. Assim uma echarpe longa ou algo semelhante, que possa cobrir estas zonas, é aconselhável. Os chapéus e o calçado têm de ser removidos. As poses para uma fotografia em frente a uma estátua do Buddha deve ser evitada.
Saúde, alimentação e gastronomia
A gastronomia local tem um sabor bem marcante: é forte, temperada e quente. É uma gastronomia muito influenciada pela sua localização geográfica, geralmente acompanhada pelo caril, que desde já caracteriza a maioria dos países asiáticos. Apesar de ser bem diferente da cozinha portuguesa, devo dizer que os sabores intensos me agradaram bastante. Comer com a ponta dos dedos é bastante frequente e, apesar de no início ter causado alguma confusão, rapidamente se torna normal, dada a frequência.

Não tivemos qualquer imprevisto relacionado com a saúde, apenas pequenos “constrangimentos gástricos” típicos e consequentes dos ditos temperos mais intensos, isto também porque fomos tendo alguns cuidados. De todos os modos, em qualquer viagem um “loperamida” (Imodium) não faz mal nenhum se andar pela bagagem.
O maior risco para a saúde no Sri Lanka vem do consumo de alimentos e águas contaminadas – peixe (especialmente o marisco), carne (sobretudo o porco e as carnes picadas), as saladas (se não forem lavadas com água purificada), gelados e bebidas (principalmente vendidas nas ruas, garrafas não rotuladas ou celadas). Se quer evitar contratempos na sua viagem, é importante que a comida seja bem cozida, evitando os vegetais crus ou as frutas com casca. É completamente desaconselhável beber água da torneira, apenas engarrafada, fechada e de preferência com certificado SLS bem legível. A casa de banho deve ter uma garrafa de água. O gelo também é perigoso, por isso é importante garantir que é feito a partir de água engarrafada.
Alguns meses antes da viagem, fomos à consulta do viajante e nela foi aconselhado a toma de algumas vacinas importantes. Todos estes cuidados não significaram privação e, de modo nenhum, deixamos degustar os pratos típicos da região.
Segurança
Considero um país seguro mas, como em todos os país, é conveniente ter um pouco de conhecimento sobre as regras desse país, sobretudo se não estivermos acompanhados por alguém que as conheça.
Custo
O Sri Lanka não é propriamente um país rico. O salário médio mensal líquido ronda os 220€/mês e o custo médio dos produtos são muito semelhantes aos praticados em Portugal. Por exemplo, 1kg de bananas podem custar cerca de 0.80€, o frango cerca de 3€/kg ou 1L de leite 0.90€. Uma refeição para 2 pessoas com sobremesa ronda os 8€ ou uma garrafa de água de 330 ml 0.25€. Os combustíveis são bem mais baratos, por exemplo a gasolina pode custar 0.65€/L.
Se a viagem for apenas para o Sri Lanka, o custo total da viagem não é propriamente muito caro, tendo em conta o tipo de viagem que é. Claro que, este é um ponto relativo que tenderá a ser influenciado pelas categorias de hotéis escolhidos.
Religião
Cerca de 70% da população é Budista e o Hinduísmo representa cer
ca de 15%. Qualquer imagem religiosa é sagrada e o uso delas para fins pagãos, sobretudo a imagem do Buddha, é sinónimo de desrespeito que até pode levar à prisão. Por isso, dificilmente encontrará uma imagem à venda e se arriscar levar na bagagem, correrá o risco de ficar sem ela e provavelmente arranjará um problema.